RADIOBALIZAS - CT1EHK

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RADIOBALIZAS

HAMRADIO

     

                  Miguel Andrade - CT1ETL






A Rede Mundial de Radiobalizas                     




Este artigo pretende ser uma ajuda para a descoberta de uma interessante ferramenta para os aficionados das ondas curtas, com especial destaque para aqueles que gostam de explorar as capacidades de comunicações em longas distâncias nas suas estações de radiocomunicações.

Quantas vezes o apreciador de contactos em longas distâncias nas ondas curtas (HF) passa por numa faixa de frequências aparentemente sem quaisquer condições de propagação e como não tem conhecimentos ou não se dá ao trabalho de investigar um pouco mais perde um memorável contacto com uma daquelas estações com quem se fala uma só vez durante uma vida inteira?

Já a mim me aconteceu, (quando apenas podia trabalhar exclusivamente uma única banda de ondas curtas), fazer contactos espantosos em dias em que aparentemente aquela faixa de frequências estava imprópria para contactos via rádio, uma vez que não se escutava viva alma nem sequer em telegrafia nas frequências inferiores. Admito que se tivesse acesso a outras faixas de frequências nesses mesmos dias tinha perdido hipóteses muito interessantes de conseguir os meus únicos contactos com certos países difíceis de encontrar, os quais até hoje nunca mais pude voltar a alcançar.

Quando as condições numa determinada banda do serviço de amador estão favoráveis para uma daquelas vastas regiões do planeta onde o número de radioamadores existentes é uma insignificância, (que nem costuma constar para estatísticas), o mais provável é que, enganados pelo silêncio, sejamos levados a pensar que, como se diz na gíria, "a propagação está fechada".

Na realidade podemos considerar que por princípio só há duas hipóteses para uma banda estar silenciosa; ou as condições de propagação das ondas de rádio naquelas frequências são inexistentes, (podem apenas estar pobres para as nossas relativamente baixas potências de emissão) ou, caso contrário, a explicação poderá ser não estar ninguém activo naquela faixa de frequências no momento e nos locais onde chegam as nossas emissões, (o que não é difícil de acontecer).

A discussão sobre quando é que uma faixa de frequências está aberta às comunicações para determinado alcance, parte do mundo ou objectivo com as condições de operação de cada estação de amador daria só por si uma série de artigos.

Para quem tem menos conhecimentos e experiência sobre este assunto, a matéria que se segue pode ser ainda desconhecida, contudo esta ferramenta de trabalho é tão útil aos caçadores de trofeus como aos simples amantes dos contactos internacionais.

Cada vez existem mais radioamadores espalhados pelo mundo a agradecerem a quem terá tido um dia a ideia de promover e desenvolver uma rede organizada de estações automáticas que emitem 24 horas.

Estas radiobalizas foram activadas para nos ajudarem a compreendermos, através dos seus sinais, quais são as reais condições de nos comunicarmos com as regiões onde estão instaladas, (independentemente de se escutar actividade nessa faixa de frequências ou não).

Oficialmente quem está por trás da organização da mais famosa rede internacional de radiobalizas é uma associação denominada NCDXF (Fundação de DX do Norte da Califórnia) em colaboração com a IARU (a qual dispensa qualquer apresentação).

Estas entidades, em áreas diferentes de responsabilidade, estão na génese da organização de um sistema composto por estações particulares com licenças especiais que formam uma rede de sinalizadores.

Desta forma a rede mundial de estações emissoras automáticas NCDXF/IARU torna-se um meio excelente para compreendermos o comportamento de condições de propagação das ondas de rádio a qualquer momento, podendo assim fazer-se o contraponto entre a realidade e os modelos informáticos de previsão.

A utilidade destas estações para estudos de propagação das ondas de rádio e das condições de comunicações com determinado ponto do globo não se ficam pelo simples uso exclusivo de outras estações do serviço de amador, havendo entidades científicas, militares e organizações da mais variada natureza que em todo o planeta aproveitam este sistema para os mesmos fins e efeitos.

Esta rede foi desenhada para ser construída e operada por radioamadores voluntários a um custo muito baixo, custo esse sobretudo relacionado com o investimento inicial feito nos componentes e equipamentos e pouco mais.

O funcionamento e a coordenação das estações é extremamente simples, o qual é fundamentado numa escala de emissão perfeitamente coordenada, segundo a qual cada estação emite apenas por um curto período de tempo um sinal com a sua identificação em telegrafia a uma velocidade fácil de ser descodificável por todos.

Como a emissão é contínua podemos em poucos minutos escutar numa determinada banda todos os sinais emitidos pelas regiões do planeta que naquela frequência estiverem ao alcance da nossa estação onde exista uma destas estações automáticas. Por outro lado, podemos acompanhar o percurso de uma das radiobalizas em cada frequência para nos apercebermos de quais são as bandas que nos permitem atingir aquele território, ou, determinar pela força do sinal qual é a faixa de frequências que naquele momento está mais favorável para contacto com aquela área do mundo.

Na prática, como nem todos os radioamadores tem conhecimentos de telegrafia ou porque alguns sinais chegam muito baixos e tornam imperceptíveis os indicativos, existe um método muito simples mas infalível de se identificar a radiobaliza em causa. Qualquer programa informático dos muitos já existentes nos pode fornecer essa pista através dos horários de transmissão no esquema de funcionamento, uma vez que estas estações emitem em momentos definidos com muita precisão.

Alguns programas (a maioria) são gratuitos e fáceis de encontrar, por exemplo, via Internet. Eles permitem-nos podemos de uma forma automatizada saber com precisão a radiobaliza que está naquele momento a emitir, sem sermos obrigados a saber receber à velocidade requerida ou termos sequer uma licença de telegrafia por Código Morse. Para além disso oferecem outras utilidades que nos permitem ter uma visão ímpar de todo este assunto.

Uma vez que todas estas estações emitem com a potência máxima de 100 Watts através de antenas verticais, é também muito fácil, por comparação, calcular como chegará àquela localização geográfica o sinal da nossa estação, em função das suas condições técnicas de operação em particular caso por caso.

A seu tempo, será igualmente constituída uma rede de estações locais de recepção destes sinais espalhadas pelo mundo que nos pouparão trabalho, transmitindo pelos meios cada vez mais habituais como as redes de comunicações digitais, os relatórios de recepção para cada faixa de frequências em que as radiobalizas estão a operar. Hoje mesmo, no sítio da Internet da responsabilidade do NCDXF já é possível antever esse futuro próximo através dos meios ao nosso dispor por essa via.

As frequências de trabalhos das radiobalizas da rede mundial de estações emissoras automáticas NCDXF/IARU são 14.100 MHz, 18.110 MHz, 21.150 MHz, 24.930 MHz e 28.200 MHz.

As radiobalizas transmitem apenas 3 minutos cada uma, mas através da tabela podem ser identificados todos os momentos precisos do início da transmissão em cada hora e em cada frequência para cada uma destas estações.

A emissão é feita á velocidade de 22 palavras por minuto seguida de 4 traços de 1 segundo cada de duração. O indicativo e o primeiro destes traços são emitidos com a potência de 100 Watts, os traços seguintes são emitidos com 10 W, 1 W e 100 mW respectivamente.

Para actualizar as informações sobre as estações activas, conseguir os programas de computador aplicáveis, ligações com interesse, artigos e outras utilidades sobre este projecto consulte-se o seguinte endereço www.ncdxf.org.



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